GIRLS CAN | Eu também quero meu espaço

Olá, Padawans! Tudo bem com vocês?

Hoje é sexta-feira, dia de Girls Can, a coluna onde trago depoimentos e discussões de garotas no meio nerd. Com o objetivo de dar espaço e voz para essas garotas, para mostrar que o problema não está apenas no meio, mas também na sociedade, que nos condiciona a isso desde pequenas.

“Eu nunca sofri algo grave como algumas meninas sofreram, tipo, de pra jogarem determinado jogo ter que entrar com nick de homem e as que entram dando a entender que são mulheres são expulsas do lugar, eu nunca sofri isso. Mas acho que a opressão masculina nesse meio se dá por coisas leves que acabam se tornando incômodas, não só no meio nerd, mas até no futebol por exemplo isso é “comum”. Na época que eu estudava tinha um garoto na minha sala que sentava perto de mim que sempre estava com uma HQ na mão. Eu me “introduzi” nesse meio nerd sozinha e como nenhuma das minhas amigas gostava muito, tentei arrastar uma delas pra esse mundo. Certa vez, quando a gente voltava do intervalo e discutia sobre uma série de herói (não lembro qual agora), esse mesmo menino da HQ estava atrás da gente e se meteu no assunto e perguntando pra gente várias coisas sobre a tal série e quando ele viu que nós sabíamos tudo ele quis testar com HQ da tal série. Estávamos no começo de tudo e não entendíamos bem sobre a HQ ainda, mas foi o suficiente pra ele nos taxar de poser e etc.” (VITÓRIA, 19)

Constantemente somos testadas, como se fossemos obrigadas a demonstrar, de fato, que sabemos sobre o assunto, ou melhor, todos os assuntos. Muitas vezes somos rotuladas como garotas que gostam apenas porque o ator que representa tal herói ou personagem é bonito ou fingimos que gostamos para impressionar algum garoto. Somos motivos de piadas em tirinhas ou rodinhas.

“Em 2015 Bienal do Livro aqui no RJ, eu estava no estande da Panini vendo qual HQ comprar, quando dois garotos que nunca vi na vida soltaram indiretas como “nunca vi garota que gosta de herói” ou “deve estar comprando HQ pra se mostrar pro namorado”, como se mulheres não pudessem ter interesse nesse tipo de coisa ou que não fossemos inteligentes o suficiente pra entrar nesse universo em que homens são predominantes. Mas graças a deus isso está mudando e cada vez mais as mulheres tomam seu espaço no universo nerd, seja no dia a dia ou na representatividade nos cinemas e histórias em quadrinho.” (VITÓRIA, 19)

Estamos vendo algumas mudanças significativas, como o aumento de garotas no mundo nerd, porém ainda com certa resistência. De fato, estamos ganhando nosso espaço e é nesse momento que devemos falar e discutir sobre o problema do machismo, que ainda é adotado como discurso pelo meio nerd. Mulher-Maravilha é, com certeza, um marco no cinema, mas principalmente para nós garotas, que podemos ver o protagonismo feminino, e nos sentimos representadas. O filme deixou ainda mais claro como é difícil ser uma heroína e mulher – ainda mais uma fã- , em um mundo predominantemente masculino, ele evidenciou problemas, como comentários machistas sobre a personagem, sexualização e até implicância sobre uma sessões voltadas para mulheres na exibição do filme. Além do mais, mostra também como é inaceitável a heroína ser um ícone feminista.

Ao longo da semana o blog trouxe matérias e tópicos falando sobre o filme da Mulher-Maravilha e todo seu Girl Power. Amanhã vou finalizar trazendo um Girls Can especial sobre o tema. Espero sua colaboração! Para participar entre em contato na aba “contato”.

Lembre-se garota, você pode. E aí, gostou ou tem alguma sugestão? Deixa aí seu comentário e que a Força esteja com você.